O que esta análise conclui
- O crescimento de 18,4% não é comparável ano a ano. O IBGE passou a medir 14 culturas em 2025 que não constavam de 2024. Excluindo-as, o crescimento na mesma cesta é de 16,0%.
- Dois terços do avanço vieram de volume, um terço de preço, e a proporção varia radicalmente entre culturas. O café arábica produziu menos e faturou 39,9% mais. O arroz produziu 18,6% mais e faturou 12,0% menos.
- O recorde de produtividade em grãos é real, mas o salto de 14,1% mede a recuperação de uma base deprimida. Contra 2023, o ganho é de 4,7%. A tendência estrutural da década roda perto de 1,5% ao ano.
- Três culturas explicam 83% de todo o crescimento e cinco estados explicam 75%. A expansão de 2025 foi concentrada, não difusa.
Parte umO número de capa e o que ele contém
A Produção Agrícola Municipal registrou R$ 927,2 bilhões em valor da produção agrícola em 2025, contra R$ 783,1 bilhões em 2024. O avanço nominal de 18,4% equivale a R$ 144,1 bilhões adicionais e é o maior valor de toda a série histórica, iniciada em 2004.
Acréscimo sobre 2024
O trabalho analítico consiste em separar quanto desse valor representa mais comida produzida, quanto representa preços mais altos, e quanto representa apenas uma pesquisa que passou a enxergar mais.
A primeira correção: o escopo mudou
Em 2025 o IBGE incorporou à pesquisa catorze produtos que não eram apurados em 2024, entre hortaliças e frutas: morango, alface, pimentão, cenoura, repolho, abóbora, chuchu, inhame, milho verde, acerola, graviola, cupuaçu, gergelim e canola. Juntos, somam R$ 18,6 bilhões.
Esse montante aparece integralmente como crescimento quando se compara 2025 com 2024, mas nenhuma parte dele corresponde a produção nova. É pesquisa nova. Removendo essas culturas, a base comparável cresce 16,0%, e não 18,4%. A diferença de 2,4 pontos percentuais representa aproximadamente 13% de todo o crescimento noticiado.
Por que isso importa
Qualquer projeção, meta comercial ou tese de investimento calibrada sobre os 18,4% nominais carrega um viés de otimismo embutido. Para comparação intertemporal, a taxa correta é 16,0%.
Parte doisProdutividade ou preço? A resposta muda por cultura
O valor da produção é o produto de duas grandezas que a PAM permite separar: a quantidade colhida e o valor implícito por tonelada. A decomposição entre essas duas forças, porém, dá respostas diferentes conforme a ponderação, e a diferença é instrutiva.
Tratando o país como uma cesta única de toneladas, o avanço de R$ 144,1 bilhões se divide em 34% de volume, 63% de preço e 4% de interação entre os dois. Por esse recorte, o recorde de 2025 é majoritariamente um fenômeno de cotação.
Somando os efeitos cultura a cultura, cada uma avaliada ao seu próprio preço, a proporção se inverte para cerca de 69% de volume e 31% de preço. A divergência tem uma causa identificável: a cana-de-açúcar responde por 64% de todo o tonelada colhido no Brasil e cresceu apenas 0,8%, o que deprime o volume agregado sem dizer muito sobre as culturas que de fato se moveram.
Qual dos dois usar
Depende da pergunta. Para descrever o valor nacional, o recorte agregado é o correto e mostra predomínio de preço. Para dimensionar demanda por capacidade operacional, o recorte por cultura é mais informativo, porque pondera cada tonelada pelo seu próprio valor. O que não muda em nenhum dos dois é o comportamento por grupo: em grãos, 83% do ganho veio de volume; em lavouras temporárias não graníferas, 77% veio de preço.
A média nacional, de todo modo, esconde comportamentos opostos. A tabela abaixo mostra as culturas que mais contribuíram para o avanço, separando o que veio de cada força.
| Cultura | Valor 2025 | Acréscimo | Quantidade | Preço |
|---|---|---|---|---|
| Soja | R$ 315,2 bi | +55,0 | +14,4% | +5,9% |
| Milho | R$ 122,1 bi | +34,0 | +22,8% | +12,8% |
| Café arábica | R$ 71,4 bi | +20,4 | −6,8% | +50,2% |
| Café canephora | R$ 28,6 bi | +10,4 | +26,1% | +24,7% |
| Algodão herbáceo | R$ 40,6 bi | +9,2 | +16,4% | +11,3% |
| Cana-de-açúcar | R$ 108,9 bi | +4,0 | +0,8% | +2,9% |
O caso do café: valor sem colheita
O café arábica é a demonstração mais nítida de que valor e produção são coisas distintas. A quantidade colhida caiu 6,8%, enquanto o valor da produção subiu 39,9%, porque o preço implícito por tonelada avançou 50,2%. O arábica sozinho adicionou R$ 20,4 bilhões ao valor nacional sem ter produzido um grão a mais.
Somado ao canephora, o café respondeu por R$ 30,8 bilhões do crescimento, o equivalente a 21% do total. É um ganho de renda real para o cafeicultor, e é também um ganho que não se traduz em demanda adicional por capacidade de colheita, armazenagem ou transporte. Para quem vende máquinas ou insumos, R$ 1 bilhão vindo de preço do café e R$ 1 bilhão vindo de tonelada de soja são sinais de mercado completamente diferentes.
O lado oposto: produzir mais e faturar menos
Várias culturas relevantes encerraram 2025 com valor da produção menor que em 2024, e na maioria delas isso ocorreu apesar de a colheita ter aumentado.
| Cultura | Valor 2025 | Variação do valor | Quantidade | Preço |
|---|---|---|---|---|
| Laranja | R$ 23,0 bi | −19,6% | +5,2% | −23,6% |
| Batata-inglesa | R$ 7,0 bi | −41,5% | +7,4% | −45,5% |
| Arroz | R$ 19,6 bi | −12,0% | +18,6% | −25,8% |
| Cacau | R$ 13,0 bi | −15,2% | +5,7% | −19,7% |
| Feijão | R$ 9,9 bi | −18,9% | −2,6% | −16,8% |
| Cebola | R$ 2,9 bi | −26,1% | +11,3% | −33,6% |
Leitura
O arroz é o caso clássico da supersafra que se volta contra o produtor: colheita 18,6% maior, preço 25,8% menor, receita 12,0% menor. O mesmo padrão aparece na batata, na cebola e na laranja. São mercados de demanda pouco elástica, em que o excedente derruba a cotação mais rápido do que o volume compensa.
Para o produtor dessas culturas, 2025 foi um ano ruim, ainda que o agregado nacional tenha batido recorde. Discursos construídos sobre a média nacional não descrevem a realidade desse grupo.
A concentração do crescimento
Soja, milho e café, somados, responderam por R$ 119,8 bilhões, ou seja, 83% de todo o acréscimo de valor registrado em 2025. O restante da agricultura brasileira, com suas dezenas de culturas, explicou os 17% restantes. Esse é o grau de dependência que a pauta agrícola brasileira apresenta hoje.
Parte trêsTecnificação: o que a série histórica mostra
O rendimento médio do grupo de grãos alcançou 4.278 kg/ha em 2025, contra 3.751 kg/ha em 2024. O ganho de 14,1% é o maior da série e tem sido apresentado como evidência de um salto tecnológico. Os dados sustentam parte dessa leitura, e desautorizam outra parte.
| Ano | Rendimento | Área colhida | Produção |
|---|---|---|---|
| 2015 | 3.668 kg/ha | 56,4 Mha | 206,7 Mt |
| 2019 | 3.888 kg/ha | 61,4 Mha | 238,5 Mt |
| 2022 | 3.642 kg/ha | 71,4 Mha | 259,9 Mt |
| 2023 | 4.084 kg/ha | 76,1 Mha | 311,0 Mt |
| 2024 | 3.751 kg/ha | 76,4 Mha | 286,4 Mt |
| 2025 | 4.278 kg/ha | 78,9 Mha | 337,4 Mt |
A leitura correta exige olhar além do par 2024 a 2025. O ano de 2024 foi atípico: o rendimento recuou para 3.751 kg/ha, abaixo do patamar de 2023, sob efeito de estiagem. Comparar 2025 com esse piso amplifica o resultado.
Contra 2023, que é a referência não deprimida mais próxima, o ganho de produtividade é de 4,7%, não de 14,1%. E na janela de dez anos, de 2015 a 2025, o rendimento avançou 16,6%, o que corresponde a algo próximo de 1,5% ao ano.
Leitura
O recorde é verdadeiro e a trajetória de ganho de produtividade é consistente ao longo da década. O que não se sustenta é tratar os 14,1% como taxa de referência: ela mistura ganho estrutural com recuperação climática. Um plano de negócios ancorado nessa taxa projetará uma demanda que a tendência real não entrega.
Vale notar o comportamento da área: 78,9 milhões de hectares em 2025, contra 56,4 milhões em 2015. A área de grãos cresceu 40% na década, mais do que o rendimento. A expansão brasileira continua tendo um componente horizontal relevante, ao contrário do que a narrativa de tecnificação pura sugere.
Parte quatroGeografia: um estado responde por um terço do avanço
O Centro-Oeste alcançou R$ 288,0 bilhões e 31,1% do valor nacional, superando o Sudeste, que somou R$ 271,0 bilhões e 29,2%. A mudança de liderança regional é real, mas a margem é estreita, de pouco mais de R$ 17 bilhões, e decorre em boa medida do desempenho de um único estado.
| UF | Valor 2025 | Participação | Variação | Acréscimo |
|---|---|---|---|---|
| Mato Grosso | R$ 165,6 bi | 17,9% | +37,1% | +44,9 |
| São Paulo | R$ 124,0 bi | 13,4% | +5,1% | +6,0 |
| Minas Gerais | R$ 109,4 bi | 11,8% | +26,3% | +22,8 |
| Paraná | R$ 87,7 bi | 9,5% | +21,9% | +15,7 |
| Goiás | R$ 72,7 bi | 7,8% | +20,3% | +12,3 |
| Rio Grande do Sul | R$ 71,3 bi | 7,7% | −5,9% | −4,5 |
| Bahia | R$ 55,5 bi | 6,0% | +16,9% | +8,0 |
| Mato Grosso do Sul | R$ 47,8 bi | 5,2% | +33,9% | +12,1 |
| Pará | R$ 38,4 bi | 4,1% | +6,7% | +2,4 |
| Espírito Santo | R$ 33,7 bi | 3,6% | +44,9% | +10,4 |
Mato Grosso concentra 31% do crescimento nacional
O acréscimo de R$ 44,9 bilhões de Mato Grosso equivale a 31,2% de todo o crescimento do país. Somando os cinco estados de maior contribuição, que são Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul, chega-se a R$ 107,8 bilhões, ou 74,8% do avanço nacional.
Espírito Santo e a maior alta relativa do país
O Espírito Santo cresceu 44,9%, a maior variação entre todas as unidades da federação, superando inclusive Mato Grosso. O motor é o café canephora, cuja produção capixaba se beneficiou simultaneamente de colheita maior e de preço 24,7% superior. Minas Gerais, com alta de 26,3%, tem dinâmica análoga, ancorada no arábica.
Dois dos cinco estados que mais cresceram em 2025 devem seu desempenho principalmente ao café, e não a grãos. É uma correção importante à leitura de que o avanço nacional foi um fenômeno de grãos do Centro-Oeste.
Rio Grande do Sul, a exceção negativa
O Rio Grande do Sul foi o único grande produtor a registrar retração, com queda de 5,9% e perda de R$ 4,5 bilhões. Pernambuco também recuou, em 0,4%. Todas as demais unidades da federação cresceram.
Leitura
Um desenho comercial baseado na média nacional de 18,4% erra em quase todos os territórios. Mato Grosso cresceu o dobro disso, São Paulo cresceu menos de um terço, e o Rio Grande do Sul encolheu. A dispersão entre estados, que vai de menos 5,9% a mais 44,9%, é maior que a própria taxa nacional.
Parte cincoConcentração municipal
Dos 5.513 municípios com produção agrícola registrada em 2025, os cem maiores concentram cerca de 30% de todo o valor nacional. Os vinte maiores somam R$ 105,7 bilhões.
| # | Município | Valor 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| 1 | Sapezal, MT | R$ 8,594 bi | +46,6% |
| 2 | São Desidério, BA | R$ 8,357 bi | +24,3% |
| 3 | Sorriso, MT | R$ 8,165 bi | +13,8% |
| 4 | Campo Novo do Parecis, MT | R$ 7,870 bi | +50,4% |
| 5 | Formosa do Rio Preto, BA | R$ 5,893 bi | +20,5% |
| 6 | Diamantino, MT | R$ 5,824 bi | +45,3% |
| 7 | Rio Verde, GO | R$ 5,690 bi | +17,0% |
| 8 | Cristalina, GO | R$ 5,643 bi | +7,0% |
| 9 | Nova Mutum, MT | R$ 5,389 bi | +34,6% |
| 10 | Jataí, GO | R$ 4,836 bi | +25,9% |
| 11 | Campo Verde, MT | R$ 4,446 bi | +37,3% |
| 12 | Querência, MT | R$ 4,423 bi | +39,7% |
| 13 | Primavera do Leste, MT | R$ 4,243 bi | +22,0% |
| 14 | Lucas do Rio Verde, MT | R$ 4,137 bi | +38,1% |
| 15 | Maracaju, MS | R$ 3,825 bi | +60,9% |
| 16 | Brasnorte, MT | R$ 3,724 bi | +43,5% |
| 17 | Campos de Júlio, MT | R$ 3,688 bi | +34,1% |
| 18 | Paranatinga, MT | R$ 3,668 bi | +41,2% |
| 19 | Patrocínio, MG | R$ 3,664 bi | +10,2% |
| 20 | Linhares, ES | R$ 3,634 bi | +47,8% |
Entre os cinquenta maiores municípios, 24 estão em Mato Grosso. Bahia aparece com cinco, e Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo com quatro cada. Maracaju, no Mato Grosso do Sul, registrou a maior alta do grupo, com 60,9%.
Duas presenças merecem destaque por fugirem ao padrão de grãos: Patrocínio, em Minas Gerais, e Linhares, no Espírito Santo, ambas sustentadas por café. Linhares cresceu 47,8%, acima de quase todos os municípios graneleiros da lista.
Leitura
A concentração define a economia de cobertura comercial. Cem municípios respondem por cerca de um terço do valor agrícola do país, o que torna viável um atendimento presencial de alta densidade nesse recorte. Os demais 5.400 municípios exigem outro modelo de custo de servir.
Parte seisO que a PAM não mede
Precisão analítica também é saber onde os dados param. A PAM apura área plantada, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e valor da produção, por município e por cultura. Não apura, e portanto não permite afirmar:
- Venda de máquinas, implementos ou insumos. A PAM não mede mercado de equipamentos. Números de unidades vendidas exigem fontes setoriais próprias, como Anfavea, Abimaq ou associações de distribuição.
- Custo de produção, margem ou rentabilidade. O valor da produção é receita bruta estimada, não resultado. Margem exige estrutura de custo, que a pesquisa não coleta.
- Preço efetivamente recebido. O preço implícito usado nesta análise é derivado da razão entre valor e quantidade. É uma aproximação consistente para comparação entre anos, não uma cotação de mercado.
- Valores reais, descontada a inflação. A PAM publica valores nominais. Qualquer conversão para termos reais depende de um deflator externo, que precisa ser declarado junto com o índice escolhido.
- Pecuária e silvicultura em 2025. As pesquisas correspondentes, PPM e PEVS, têm 2024 como último ano disponível. Comparações entre agricultura e pecuária no mesmo ano ainda não são possíveis para 2025.
Sobre a leitura de mercado
Projeções de demanda por máquinas e insumos podem ser construídas a partir da PAM, combinando área colhida, rendimento e composição de culturas com parâmetros de capacidade operacional e fontes setoriais de vendas. Essa construção é legítima quando as premissas são declaradas e a fonte de cada componente é identificada. O que não é legítimo é apresentar a projeção resultante como se fosse um dado do IBGE.
Parte seteImplicações
Para quem fornece máquinas e insumos
A demanda física acompanha volume, não valor. Os R$ 30,8 bilhões que o café adicionou vieram majoritariamente de preço e não geram necessidade proporcional de capacidade operacional. Já os R$ 89,0 bilhões de soja e milho correspondem a 47,1 milhões de toneladas adicionais, que precisaram ser colhidas, transportadas e armazenadas. Dimensionar o mercado pelo valor agregado superestima a demanda por equipamento.
No recorte territorial, cinco estados concentram 75% do crescimento e 24 dos cinquenta maiores municípios estão em Mato Grosso. A densidade justifica presença direta nesse eixo. O Rio Grande do Sul, em contração de 5,9%, pede tratamento distinto no mesmo período.
Para quem produz
O ano separou claramente dois grupos. Quem produz soja, milho, algodão ou café encerrou 2025 com receita significativamente maior. Quem produz arroz, batata, cebola, feijão ou laranja enfrentou queda de receita mesmo colhendo mais, porque o preço caiu mais rápido que o volume subiu. Nesse segundo grupo, o recorde nacional não descreve a realidade da porteira.
Para decisões de investimento em produtividade, a referência de ganho estrutural é a ordem de 1,5% ao ano observada na década, não os 14,1% de 2025, que incorporam recuperação climática.
Para quem analisa ou investe
Três ajustes são necessários ao número de capa: descontar os R$ 18,6 bilhões de ampliação de escopo, separar preço de volume antes de inferir tendência, e usar 2023 em vez de 2024 como base de comparação para produtividade. Com esses ajustes, o quadro de 2025 continua positivo, porém com magnitude distinta da sugerida pela leitura direta dos 18,4%.
Documento completoAnálise aprofundada, em PDF
Esta página é a síntese. O estudo completo, de 46 páginas, aprofunda cada eixo e acrescenta camadas que não cabem aqui: decomposição a preços reais deflacionados pelo IPCA, análise shift-share separando maré nacional de desempenho próprio em cada estado, medição de risco climático por unidade da federação, distinção entre decisão de plantio e sinistro de lavoura, recortes por mesorregião e município para cobertura comercial, e oito anexos com as séries e os testes de tendência.
Inclui também uma auditoria do pipeline de dados que identificou dois defeitos de agregação de produtividade, com a correção recomendada.
Nota técnicaMetodologia e reprodutibilidade
Fonte. Microdados da Produção Agrícola Municipal 2025, IBGE, obtidos via API SIDRA, tabelas 1612 para lavouras temporárias e 1613 para lavouras permanentes, variáveis 109 (área plantada), 216 (área colhida), 214 (quantidade produzida), 112 (rendimento médio) e 215 (valor da produção). Cobertura de 5.540 municípios, 27 unidades da federação e série de 2004 a 2025.
Tratamento de dupla contagem. A PAM publica o café em três rubricas: arábica, canephora e total. Os agregados desta análise excluem a rubrica de total, para evitar contagem dupla. Sem esse ajuste, o valor nacional de 2025 resultaria em R$ 1.027,2 bilhões em vez de R$ 927,2 bilhões.
Rendimento. Calculado sempre como quantidade produzida dividida por área colhida, nunca pela média das colunas de rendimento municipal, que não são somáveis.
Decomposição de preço e volume. O preço implícito é o valor da produção dividido pela quantidade produzida. São apresentados dois recortes. No agregado, a decomposição usa três termos sobre o total nacional: efeito volume (variação de quantidade ao preço-base), efeito preço (variação de preço à quantidade-base) e interação, resultando em 34%, 63% e 4%. Abacaxi e coco-da-baía ficam de fora das contas de quantidade e preço, por serem publicados em mil frutos e não em toneladas. No recorte por cultura, os efeitos são calculados individualmente e somados, cobrindo as culturas presentes nos dois anos, que respondem por R$ 125,5 bilhões dos R$ 144,1 bilhões de acréscimo; os R$ 18,6 bilhões restantes são das culturas incorporadas em 2025, sem base de comparação.
Grupo de grãos. Agregado de 14 culturas passíveis de colheita mecanizada de grãos, conforme classificação mantida no repositório analítico da AgroCore. Os números de rendimento do grupo referem-se a esse conjunto, não ao total da agricultura.
Validação. Todos os agregados foram calculados por dois caminhos independentes, a partir dos arquivos municipais consolidados e a partir da série nacional por cultura, com resultados coincidentes.
Valores nominais. Todas as cifras estão em reais correntes, sem deflação, conforme publicado pelo IBGE.